Morre Dino Rocha, a lenda viva do chamamé sul-mato-grossense

Hoje o acordeão não quis tocar, estava triste, cabisbaixo na janela do quarto. Já sentia saudade daquele que outrora ousou desafiar os limites de suas notas musicais. O instrumento, responsável por produzir um dos estilos mais característicos da cultura sul-mato-grossense, o chamamé, hoje não fez o público balançar agarradinho. Ficou ali, no seu canto, em silêncio, desafinado pela dor do luto, da perda do seu melhor amigo, o lendário Dino Rocha.

So pneus

Aldo Rocha, ou simplesmente Dino Rocha, é reconhecido Brasil a fora como o maior sanfoneiro do país e um dos melhores de todo o continente latino-americano. Na noite de domingo (17), o músico, de 67 anos, faleceu.

O artista vinha lutando contra complicações da diabetes, estava internado há 25 dias no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul e sofreu uma parada cardíaca. Dinho estava em coma e seria submetido à operação de traqueostomia para ajudar na sua respiração.

O velório está acontecendo no cemitério Memorial Park, mesmo local onde será realizado o sepultamento, marcado para as 9h de terça-feira (19).

Vários músicos sul-mato-grossenses lamentaram a morte do conterrâneo, entre eles, Geraldo Espíndola. “Era uma das pessoas mais espetaculares que conheci”, disse em entrevista para um telejornal local. A instrumentista Lenilde Ramos também se pronunciou na mesma emissora. “Tinha um estilo único de tocar. Era respeitado e reverenciado. Deixa uma herança maravilhosa para os músicos de Mato Grosso do Sul”.

A trajetória do ícone

Dino Rocha 2

Dino nasceu em Jutí no dia 23 de maio de 1952. Era filho de músicos, sendo a mãe alemã e o pai paraguaio. Aos oito anos de idade tornou-se tocador de sanfona profissional e, em 1971, mudou-se para a cidade de Campo Grande. Tinha apenas 16 anos quando ingressou no seu primeiro grupo musical, a banda Los 5 Nativos, da cidade de Ponta Porã.

Em 1973, gravou pela primeira vez a canção ‘Voltei amor’, que fez sucesso com a dupla Amambai e Amambaí. Ao todo, Dino Rocha gravou 15 LPs e cinco CDs. Como compositor, fez mais de 50 músicas, uma das mais conhecidas é a clássica ‘Gaivota pantaneira’, resultado da parceria com o poeta e também compositor Zacarias Mourão. Dino também gravava declamações de poemas caipiras.

Em 1991, recebeu o prêmio ‘Jacaré de prata’ ao ser eleito o melhor instrumentista do Brasil. Ele também fez uma participação especial na novela ‘Pantanal’, da extinta Rede Manchete, juntamente com os cantores Almir Sater e Sérgio Reis. Mais tarde, em 1997, criou seu próprio selo, a ‘RR Gravação e Produção ME’. Ele também fez parte do aclamado conjunto ‘Chalana de Prata’, ao lado de Paulo Simões, Guilherme Rondon e Celito Espíndola.

Consagrado nacionalmente, Dino Rocha foi convidado para participar, no ano de 2000, do projeto ‘Balaio Brasil’, apresentando-se ao lado de nomes como Dominguinhos, Caçulinha, Sivuca, Hermeto Pascoal e Toninho Ferragut. No ano seguinte, participou também dos projetos ‘Sanfona brasileira’ e ‘Brasil da sanfona’.

Em 2003, lançou um CD com regravações de sucessos “Gaivota pantaneira’, aliás, seus três últimos discos foram ‘Che Rancho Cuê (Meu rancho velho)’, ‘Pantanal, sanfona e viola’ e ‘No rancho do chamamé’. Foram 21 discos em quatro décadas de música regional e, segundo familiares, o musico aguardava a liberação de uma verba por parte da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul para gravar o seu primeiro DVD solo, ele já tinha imagens captadas e músicas gravadas para o projeto.

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